Quando filhos passam a cuidar das mães que vivem com demência
EditorialA mãe tinha 83 anos quando a reportagem foi publicada, em maio de 2019. O filho, produtor musical, havia mudado de cidade e interrompido a atividade profissional cinco anos antes para cuidar dela. O diagnóstico de Alzheimer e a viuvez alteraram a organização da família. Ele contou que já mantinha uma relação próxima com a mãe e passou a assumir tarefas que antes não estavam sob sua responsabilidade.
A mudança exigiu mais do que presença em casa. O filho fez dois cursos de cuidador de idosos e buscava estudar a doença. Mesmo contando com cuidadoras, acompanhava a alimentação, a higiene e os horários de medicamentos. Na entrevista, disse que continuava tratando a mãe com o mesmo respeito. Agora, porém, cabia a ele administrar a casa e observar necessidades diárias. A reportagem registra um episódio em que ela não queria comer. O filho respondeu relacionando a refeição à sobremesa.
Ele contou a passagem com humor, como exemplo de situações em que precisava intervir. O produtor falou sobre a presença familiar como algo valioso para a mãe. Essa era sua avaliação sobre a experiência particular de cuidado. Mostra uma escolha feita naquela família e as tarefas que se seguiram. Também registra que ele não realizava tudo sozinho: havia ajuda de profissionais na rotina. Na mesma reportagem, uma professora universitária e escritora vivia outro arranjo. Ela tinha 45 anos e a mãe, 69. O quadro de demência começou a se tornar perceptível por falhas de memória, saídas de casa sem conseguir retornar e abandono de cuidados pessoais.
As necessidades aumentaram até que a mãe passasse a depender inteiramente de ajuda, segundo o relato da filha. As duas já não moravam juntas. A filha descreveu a preocupação com a possibilidade de a mãe se perder ou se colocar em perigo. Em um sábado à tarde, enquanto dava aula, recebeu a informação de que ninguém sabia onde a mãe estava. Dispensou os alunos para ir procurar atendimento à situação. Com uma rotina profissional apertada, a professora escolheu uma clínica onde a mãe poderia ter atenção em tempo integral.
A decisão não encerrou sua preocupação. Ela continuava acompanhando a vida da mãe, agora com o cuidado cotidiano realizado por uma equipe. Os dois casos demonstravam organizações diferentes: num deles, o filho geria a casa; no outro, a filha recorreu a uma instituição para garantir presença constante. O contexto citado pela matéria também era de aumento dos cuidados familiares. A pesquisa domiciliar referente a 2018 indicava 54 milhões de pessoas com 14 anos ou mais cuidando de parentes.
O indicador situava o cuidado familiar numa população em envelhecimento. Ajuda a perceber a dimensão de um trabalho que, para aqueles entrevistados, já tinha mudado profissão, moradia e compromissos. Na casa da mulher de 83 anos, o filho permanecia atento aos horários e às refeições. Na clínica, a mãe da professora recebia cuidados em tempo integral. Em ambos os arranjos havia decisões concretas, revistas conforme as necessidades aumentavam. O trabalho continuava depois das entrevistas: organizar a casa, acompanhar a alimentação, fazer contato com os profissionais e responder ao que cada mãe precisasse naquele dia.
Fontes consultadas
Confira a origem e os créditos deste texto. A data da fonte é diferente da data de publicação no nosso site.
- Com envelhecimento de mães, filhos retribuem cuidados e dedicação
Agência Brasil · Publicada em 2019-05-12T11:02:00-03:00 · Consultada em 2026-10-04T09:28:57.915595+00:00
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