Adotado na Holanda, brasileiro procurou a família de origem
EditorialNa lembrança de um homem adotado aos quatro anos, a chegada à Holanda tinha rua coberta de neve, frio e palavras que não conseguia entender. Ele saíra de um abrigo em Leme, no interior de São Paulo, ao lado de dois irmãos biológicos. O casal que os acolheu morava em Leeuwarden. Décadas depois, a procura pelas origens brasileiras mudou sua relação com a própria história.
A reportagem publicada em maio de 2026 encontrou o entrevistado aos 31 anos. Ele trabalhava como policial e também cantava. Estava no Brasil durante as férias, participando de palestras e rodas de conversa sobre adoção e infância. Sonhava em voltar a morar no país onde nascera. Esse retorno definitivo era um desejo, não uma mudança já realizada no momento da entrevista. A adaptação à nova família envolveu aprender outra língua. O entrevistado contou que, no começo, usavam um dicionário para se entender.
Os pais adotivos eram abertos a conversar sobre a adoção e apoiaram a busca posterior. Ele preferiu não identificá-los. Ainda criança, percebia que havia nascido muito longe, mesmo sem saber explicar o país. Em 1998, acompanhou a semifinal da Copa do Mundo entre Brasil e Holanda e comemorou a vitória brasileira. Voltou a se alegrar com o título de 2002. As imagens do Brasil na televisão despertavam uma emoção que ele achava curiosa. A cor amarela tornou-se uma preferência ligada a essa identificação. As perguntas ganharam outra força em 2013, quando a então namorada ficou grávida.
Pensar na filha que nasceria levou-o a querer entender de onde vinha e por que havia deixado o país de origem. Procurou um programa de televisão holandês para ajudar na busca. Em 2014, o programa localizou a mãe biológica e os outros irmãos que viviam no Brasil, na cidade de Leme. O pai biológico já havia morrido. O reencontro com a mãe aconteceu naquele período, de acordo com os registros citados pela reportagem.
O entrevistado não quis discutir os motivos relacionados à prisão dela. Para conversar com pessoas no Brasil e aprofundar o contato com essa história, ele decidiu aprender português. A língua que não usava na infância passou a ser uma ferramenta para fazer perguntas e estabelecer relações. Registra a decisão e o fato de que ele já podia contar sua experiência ao veículo em português.
O retorno também o aproximou de crianças em situação de vulnerabilidade. Ele disse reconhecer parte do próprio passado nas situações que via. Passou a atuar voluntariamente na divulgação da adoção e no interesse por projetos de apadrinhamento afetivo. A matéria descreve essas atividades como compromisso assumido pelo entrevistado. Não informa a criação de uma entidade própria nem números de crianças diretamente atendidas por ele. A reportagem explicou que a adoção internacional depende de regras e da cooperação entre países. No caso narrado, ela afirma que os direitos da criança foram respeitados.
Esse enquadramento não elimina as dificuldades particulares de adaptação relatadas pelo homem. As duas dimensões aparecem juntas: ele reconhecia o amor recebido da família adotiva e, ao mesmo tempo, precisava compreender vínculos com o país e a família de origem. Ao falar sobre outros brasileiros adotados que conhecia na Europa, disse que alguns evitavam tocar nesse desejo de busca para não magoar os pais adotivos. O apoio encontrado em sua própria casa foi parte importante de seu percurso. Procurar as origens não foi apresentado como rompimento obrigatório com a família que o criou. Em 2026, ele queria mostrar o lugar de nascimento à filha, então com 13 anos.
Também pensava em morar e trabalhar no Brasil. A reportagem termina com esse projeto ainda aberto. O menino que precisara de um dicionário para conversar na Holanda havia aprendido português para buscar suas origens. Depois do reencontro, a pergunta sobre onde construir a próxima etapa da vida continuava sem resposta definitiva.
Fontes consultadas
Confira a origem e os créditos deste texto. A data da fonte é diferente da data de publicação no nosso site.
- Criado na Holanda, brasileiro defende cuidados no processo de adoção
Agência Brasil · Publicada em 2026-05-25T12:21:00-03:00 · Consultada em 2026-10-04T09:29:03.609939+00:00
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