As fotos no abrigo levaram um casal a adotar seis irmãos
EditorialAs imagens feitas por um menino mostravam repetidamente os irmãos. Um pedagogo trabalhava com ele em um abrigo de Brasília e, ao chegar em casa, analisava fotografias e vídeos produzidos durante a atividade. A esposa também viu o material. O que começara como um trabalho para lidar com dificuldades de comportamento e socialização abriu caminho para um vínculo com seis crianças da mesma família. O casal se tornou padrinho afetivo do grupo.
No fim de 2013, os seis irmãos passaram as festas na casa dos dois pedagogos e depois voltaram ao abrigo. Dois dias após esse retorno, os adultos deram entrada no processo de adoção. O desejo de adotar já existia, mas a convivência com aquelas crianças deu ao projeto uma dimensão que eles não tinham experimentado antes. Em agosto de 2017, a reportagem encontrou o pai com 29 anos e a então esposa com 30. A irmã mais velha tinha 12 anos e a mais nova, seis.
A casa e o carro precisaram ser substituídos por outros maiores. A documentação era apenas uma parte da mudança. O casal também teve de aprender a cuidar de seis filhos e a estabelecer confiança com crianças que haviam passado por acolhimento. O pai apontou a confiança como uma dificuldade central. Na avaliação dele, os novos adultos precisavam demonstrar a qualidade do vínculo depois das experiências dolorosas vividas pelos filhos. Sua fala não transformava a adoção em recompensa automática. Ele reconheceu o trabalho envolvido na rotina e disse estar realizado na paternidade, sem descrevê-la como uma tarefa simples.
As fotos que iniciaram essa aproximação tinham um peso particular: o menino não aparecia como alguém isolado do grupo familiar. Seus irmãos estavam presentes nas imagens produzidas por ele. A decisão dos adultos seguiu essa conexão. Primeiro vieram o apadrinhamento e as festas juntos; depois, o pedido de adoção de todos. Na mesma matéria, outro casal enfrentava uma forma diferente de distância. Dois homens que moravam em Paris haviam escolhido a reprodução assistida com gestação solidária.
Uma prima de um deles levou a gravidez em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. O filho nasceu em agosto de 2015. Acompanhá-la de outro país exigiu organização e trouxe preocupações práticas e emocionais relatadas pelos pais. O casal tinha se unido em janeiro de 2013. Um era professor de português e diplomata; o outro, químico. Até a chegada do bebê, precisaram lidar com gastos de clínica, hospital, acompanhamento da gestante e apoio jurídico.
Questões como o registro com os nomes dos dois pais e a licença dependiam de decisões judiciais. Os parentes também foram assimilando a união e o projeto de paternidade aos poucos. Quando o nascimento se aproximou, segundo um dos homens, as famílias passaram a participar mais dos cuidados. Depois veio a rotina de bebê, com noites interrompidas e sustos. A matéria registra a alegria dos pais junto do trabalho cotidiano. O nascimento não resolveu todas as demandas que haviam surgido durante a gravidez: deu início a outras, agora com uma criança dentro de casa.
Um terceiro casal ainda estava no começo do percurso em 2017. Os dois trabalhavam oferecendo cursos e serviços de beleza enquanto percorriam o Brasil. Depois de se casar, em 2013, passaram a pensar na paternidade. Na entrevista, disseram que pretendiam fixar residência para iniciar a adoção. Estavam em Pernambuco avaliando onde morar. Em 2017, estavam em Pernambuco, avaliando onde se estabelecer para construir a família. Os três casos estavam em pontos distintos. Havia o pai que já cuidava de seis irmãos, os homens que criavam um bebê nascido por gestação solidária e o casal que procurava um endereço para começar um processo.
No caso de Brasília, a mudança mais visível foi aumentar casa e carro. O compromisso menos imediato, destacado pelo próprio pai, continuava no convívio diário: ganhar a confiança das seis crianças que antes apareciam juntas nas fotografias do abrigo.
Fontes consultadas
Confira a origem e os créditos deste texto. A data da fonte é diferente da data de publicação no nosso site.
- Paternidade muda a vida de homens que enfrentaram desafios para ter filhos
Agência Brasil · Publicada em 2017-08-13T12:59:00-03:00 · Consultada em 2026-10-04T09:28:58.948083+00:00
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