Família

As fotos no abrigo levaram um casal a adotar seis irmãos

RRedação · 13/10/20264 min de leitura
Editorial

As imagens feitas por um menino mostravam repetidamente os irmãos. Um pedagogo trabalhava com ele em um abrigo de Brasília e, ao chegar em casa, analisava fotografias e vídeos produzidos durante a atividade. A esposa também viu o material. O que começara como um trabalho para lidar com dificuldades de comportamento e socialização abriu caminho para um vínculo com seis crianças da mesma família. O casal se tornou padrinho afetivo do grupo.

No fim de 2013, os seis irmãos passaram as festas na casa dos dois pedagogos e depois voltaram ao abrigo. Dois dias após esse retorno, os adultos deram entrada no processo de adoção. O desejo de adotar já existia, mas a convivência com aquelas crianças deu ao projeto uma dimensão que eles não tinham experimentado antes. Em agosto de 2017, a reportagem encontrou o pai com 29 anos e a então esposa com 30. A irmã mais velha tinha 12 anos e a mais nova, seis.

A casa e o carro precisaram ser substituídos por outros maiores. A documentação era apenas uma parte da mudança. O casal também teve de aprender a cuidar de seis filhos e a estabelecer confiança com crianças que haviam passado por acolhimento. O pai apontou a confiança como uma dificuldade central. Na avaliação dele, os novos adultos precisavam demonstrar a qualidade do vínculo depois das experiências dolorosas vividas pelos filhos. Sua fala não transformava a adoção em recompensa automática. Ele reconheceu o trabalho envolvido na rotina e disse estar realizado na paternidade, sem descrevê-la como uma tarefa simples.

As fotos que iniciaram essa aproximação tinham um peso particular: o menino não aparecia como alguém isolado do grupo familiar. Seus irmãos estavam presentes nas imagens produzidas por ele. A decisão dos adultos seguiu essa conexão. Primeiro vieram o apadrinhamento e as festas juntos; depois, o pedido de adoção de todos. Na mesma matéria, outro casal enfrentava uma forma diferente de distância. Dois homens que moravam em Paris haviam escolhido a reprodução assistida com gestação solidária.

Uma prima de um deles levou a gravidez em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. O filho nasceu em agosto de 2015. Acompanhá-la de outro país exigiu organização e trouxe preocupações práticas e emocionais relatadas pelos pais. O casal tinha se unido em janeiro de 2013. Um era professor de português e diplomata; o outro, químico. Até a chegada do bebê, precisaram lidar com gastos de clínica, hospital, acompanhamento da gestante e apoio jurídico.

Questões como o registro com os nomes dos dois pais e a licença dependiam de decisões judiciais. Os parentes também foram assimilando a união e o projeto de paternidade aos poucos. Quando o nascimento se aproximou, segundo um dos homens, as famílias passaram a participar mais dos cuidados. Depois veio a rotina de bebê, com noites interrompidas e sustos. A matéria registra a alegria dos pais junto do trabalho cotidiano. O nascimento não resolveu todas as demandas que haviam surgido durante a gravidez: deu início a outras, agora com uma criança dentro de casa.

Um terceiro casal ainda estava no começo do percurso em 2017. Os dois trabalhavam oferecendo cursos e serviços de beleza enquanto percorriam o Brasil. Depois de se casar, em 2013, passaram a pensar na paternidade. Na entrevista, disseram que pretendiam fixar residência para iniciar a adoção. Estavam em Pernambuco avaliando onde morar. Em 2017, estavam em Pernambuco, avaliando onde se estabelecer para construir a família. Os três casos estavam em pontos distintos. Havia o pai que já cuidava de seis irmãos, os homens que criavam um bebê nascido por gestação solidária e o casal que procurava um endereço para começar um processo.

No caso de Brasília, a mudança mais visível foi aumentar casa e carro. O compromisso menos imediato, destacado pelo próprio pai, continuava no convívio diário: ganhar a confiança das seis crianças que antes apareciam juntas nas fotografias do abrigo.

Fontes consultadas

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