Maternidade e Paternidade

Pais indígenas e quilombolas transmitem cuidado com a terra

RRedação · 15/10/20263 min de leitura
Editorial

Na Aldeia Barreto Preto, em São João das Missões, no norte de Minas Gerais, um pai de quatro filhos falava sobre a herança recebida dos mais velhos. Em agosto de 2023, aos 62 anos, ele explicou à reportagem que desejava transmitir palavras, gestos e respeito à terra. A comunidade de cerca de mil pessoas cultivava alimentos para subsistência, entre eles milho, feijão, arroz, abóbora e melancia.

A história fazia parte de uma reportagem sobre paternidade em comunidades indígenas e quilombolas. Para o entrevistado do povo Xakriabá, o legado não se limitava a bens. Ele ligava o aprendizado com o pai à continuidade da roça e da pesca. Preservar o ambiente era parte do que queria ensinar aos filhos. A matéria registra esse entendimento particular, sem supor que todos os pais indígenas pensem ou vivam da mesma forma. Em Bom Jesus da Lapa, na Bahia, um cacique do povo Pataxó também relacionava a paternidade ao conhecimento recebido do pai e do avô.

Ele tinha 71 anos e cinco filhos. Na Aldeia Tibá, onde viviam mais de cem pessoas, era o mais velho. Por isso, sua responsabilidade de transmitir saberes alcançava outras pessoas além dos próprios filhos. A comparação com um pai coletivo vinha dessa posição na comunidade. Com as gerações anteriores, aprendera os momentos de plantar e colher banana, abacaxi, melancia e urucum. A produção atendia às necessidades da aldeia e o excedente era vendido em uma feira da região. Naquele ano, segundo a reportagem, a prefeitura também comprava alimentos produzidos pelos indígenas. O cacique mencionou essa compra com orgulho.

Uma filha dele, agente de saúde de 47 anos, falou sobre o pai. Disse que aprendera a respeitar pessoas e ambiente, valorizar a cultura e preservar o modo de viver da comunidade. Seu depoimento liga o discurso paterno ao que permaneceu na geração seguinte. Não se trata apenas da intenção de ensinar: a filha reconhecia ensinamentos que continuavam presentes em sua própria vida. Na mesma cidade baiana, a reportagem encontrou uma família da comunidade quilombola Araçá Cariacá.

O pai tinha 51 anos e destacava a participação dos moradores na criação do filho com deficiência auditiva. A comunidade, com mais de setecentas pessoas, ajudara a estimular o rapaz a praticar esporte. Aos 25 anos, ele estava em Brasília e jogava na seleção brasileira de pessoas com deficiência auditiva. O pai descreveu esse apoio como um presente recebido na paternidade. O incentivo dos moradores fez parte da trajetória esportiva do filho.

A matéria registra o incentivo coletivo e o reconhecimento dos dois. O rapaz disse que tinha amor pelo lugar em que nascera e crescera, queria ajudar a família e agradecia ao pai pelo estímulo para buscar seus objetivos. As três histórias estavam ligadas a territórios determinados e a formas diferentes de participação comunitária. Na aldeia mineira, apareciam a agricultura e o respeito ao ambiente. Na aldeia baiana, o conhecimento de cultivo passava entre gerações. Na comunidade quilombola, o apoio incluía oportunidades para um filho praticar esporte.

A paternidade era descrita por relações observáveis, com parentes e vizinhos participando de diferentes maneiras. Registra um filho que falava de Brasília com gratidão pelo lugar onde crescera. Na memória do pai, o caminho até a seleção passava pelas pessoas da comunidade que haviam ajudado a incentivar o menino a jogar.

Fontes consultadas

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