Maternidade e Paternidade

A mãe adotada que acolheu dois irmãos sozinha em São Paulo

RRedação · 12/10/20263 min de leitura
Editorial

Aos quatro anos, uma menina foi adotada. Antes de chegar à vida adulta, já pensava em fazer o mesmo por outra criança. Décadas depois, em 2016, a administradora que morava em São Paulo adotou sozinha dois irmãos, então com cinco e sete anos. Quando falou sobre a experiência numa reportagem de maio de 2022, tinha 56 anos e conhecia a adoção a partir de dois lugares: o de filha e o de mãe.

O percurso começou no fórum. Houve entrevistas com profissionais de serviço social e psicologia, além da entrada formal na fila. Um ano e meio depois, veio o chamado para conhecer as crianças. As visitas de aproximação antecederam a continuidade do processo. A mãe explicou que, nos primeiros meses, crianças adotadas mais velhas podem colocar os adultos à prova. Na experiência que relatou, isso estava ligado à necessidade de reconhecer a nova casa como lugar seguro. Não era uma dívida de afeto a ser cobrada dos filhos.

A administradora alertou contra a expectativa de gratidão permanente e apresentou confiança, atenção e apoio como partes de uma relação construída. Sua experiência apareceu ao lado da de uma servidora pública de Brasília. A segunda mulher tinha 47 anos quando foi entrevistada e pediu para não ser identificada porque o processo de guarda ainda estava aberto. Depois da retirada das trompas, tentara fertilização in vitro, sem engravidar. Ela contou que o companheiro da época desejava um filho biológico. A separação foi seguida pela decisão de buscar a adoção sozinha. A servidora fez terapia e começou o processo em 2016.

Em junho de 2021, recebeu uma ligação sobre um menino de aproximadamente dois anos e meio. Vieram as visitas, a guarda temporária e depois a guarda provisória por tempo indeterminado. Não afirma que a adoção já tivesse sido concluída quando a mãe falou sobre a convivência. O menino ficava inseguro quando ela precisava sair para trabalhar. A mãe contou que reafirmava que voltaria. Esse gesto se repetia na rotina, embora ele tivesse chegado ao abrigo ainda bebê.

Mostra a forma concreta escolhida pela mulher para responder à insegurança que percebia no filho durante as separações cotidianas. A reportagem ouviu também um juiz ligado à área da infância e juventude. Segundo ele, os procedimentos de adoção não mudam porque há um adulto em vez de um casal. A avaliação deve considerar a capacidade de atender às necessidades da criança. O enquadramento ajuda a compreender os dois casos sem supor que uma família precise ter a mesma composição de outra para oferecer acolhimento.

As duas mulheres viveram trajetórias diferentes até a maternidade. Uma partiu da própria história como filha adotiva e acolheu dois irmãos. A outra mudou o projeto de vida depois de tratamentos e de uma separação, e ainda atravessava etapas de guarda. Nenhuma chegou à nova rotina com uma relação pronta. Na casa de Brasília, parte do trabalho começava quando o menino pedia que a mãe ficasse e ela respondia, novamente, que retornaria. A administradora de São Paulo também mantinha atenção à confiança.

Para ela, dar casa e assumir a maternidade não criava uma obrigação de agradecimento. A relação dependia do cuidado continuado, com crianças que precisavam reconhecer segurança no cotidiano.

Fontes consultadas

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