A avó leva o neto ao médico enquanto a mãe busca seus direitos
EditorialA consulta do menino apareceu de última hora. A mãe não conseguiu avisar o trabalho a tempo e a avó o levou ao médico. O episódio foi contado numa reportagem de maio de 2025 sobre mulheres que criam os filhos sem divisão de cuidados com o genitor. A mãe, de 26 anos, tinha um filho de cinco e passava 12 horas por dia fora de casa por causa da jornada profissional.
O nome usado na reportagem era fictício, a pedido da entrevistada. Aqui, a história permanece sem nome. Ela procurava a Justiça em São Paulo para obter pensão alimentícia e guarda unilateral. A ação, acompanhada pela Defensoria Pública estadual, já durava três anos. O tempo do processo correspondia a mais da metade da vida do menino, mas alimentação, saúde e outros cuidados continuavam exigindo providências diárias. A mãe contou que concentrava responsabilidades práticas e afetivas. O genitor não compartilhava cuidados nem despesas básicas, segundo seu relato.
As responsabilidades práticas continuavam na casa enquanto ela buscava, com apoio jurídico, garantir os direitos do filho. A rotina durante a semana era apertada. Nos fins de semana, ela conseguia se organizar para passear com o filho. Esses momentos eram importantes porque permitiam sair da correria habitual e reservar tempo de lazer. Ela também dizia procurar não transferir para a criança o estresse que sentia. Quando havia doença, imprevisto ou cansaço, a rede de apoio era a própria mãe. A avó também chefiava a família e havia criado dois filhos assumindo quase sozinha as responsabilidades.
A ida ao médico, citada na entrevista, mostrava uma tarefa concreta nessa continuidade entre gerações. Não era apenas uma declaração de apoio: alguém precisou reorganizar o dia e acompanhar a criança. A entrevistada contou que às vezes pedia ajuda ao pai do menino, mas não obtinha a colaboração de que precisava. Imprevistos traziam uma dificuldade adicional, porque não podiam ser combinados antecipadamente. A avó se tornava o apoio disponível. Registra que era a pessoa a quem a filha recorria nesses momentos.
A demora judicial levou a mãe a pensar em desistir. Ela descreveu desgaste e sofrimento. O contato com um projeto gratuito de orientação jurídica, psicológica e social trouxe informações que desconhecia. Soube que poderia haver fixação provisória de alimentos no início da ação, antes da sentença final. Também recebeu esclarecimentos sobre a possibilidade de medidas de proteção em situações de violência. A matéria relata o acesso a orientação e o que a mulher aprendeu sobre possibilidades jurídicas.
Não anuncia vitória posterior nem estabelece quanto teria sido devido. O percurso continuava aberto quando ela falou com a reportagem, e as necessidades do filho continuavam sendo atendidas na rotina da casa. Uma advogada ouvida pelo veículo relacionou a experiência a obstáculos mais amplos. Mencionou demora em ações de guarda e pensão, desigualdade de acesso à Defensoria e falta de informação sobre documentos e procedimentos. Também citou relatos de mulheres que enfrentavam longas filas para atendimento. O texto apresentou ainda dados sobre chefia de domicílios e famílias monoparentais.
Esses indicadores ajudam a situar o assunto, mas não tornam iguais todas as casas chefiadas por mulheres. Naquela família, o problema concreto era a combinação de trabalho longo, cuidado diário e processo sem resultado informado. A mãe precisava assegurar tempo com o menino enquanto buscava dividir obrigações que, segundo relatou, permaneciam concentradas nela. A advogada defendeu políticas integradas, com creche, acesso à saúde e orientação jurídica. Na casa entrevistada, o apoio que estava disponível tinha rosto familiar: a avó que acompanhava o neto quando a filha não podia sair do emprego. Ao mesmo tempo, a mãe continuava buscando informações para manter a demanda judicial.
Nenhum dos dois movimentos substituía o outro. A consulta precisava acontecer naquele dia; o processo seguia pedindo acompanhamento.
Fontes consultadas
Confira a origem e os créditos deste texto. A data da fonte é diferente da data de publicação no nosso site.
- Mães solo enfrentam barreiras na garantia de direitos aos filhos
Agência Brasil · Publicada em 2025-05-11T11:29:00-03:00 · Consultada em 2026-10-04T09:29:02.243678+00:00
Denunciar este relato — entre para acompanhar sua denúncia.
Continue a conversa
Comentários passam por moderação. Respeite as pessoas e não publique dados que identifiquem terceiros.
Entre ou crie sua conta para comentar.
Ainda não há comentários publicados.