Histórias de Trabalho

Do Tucuruvi ao Bixiga: a madrugada de quem chega ao trabalho

RRedação · 09/10/20263 min de leitura
Editorial

Antes de amanhecer, um porteiro de 58 anos já organizava a ida ao trabalho em São Paulo. Ele morava no Tucuruvi, na zona norte, e trabalhava em um prédio na região do Bixiga, no centro. Acordava por volta das três e meia. O percurso, publicado em uma reportagem de maio de 2024, combinava ônibus e metrô.

Às quatro e dez, pegava o ônibus para alcançar a estação Tucuruvi da Linha 1-Azul. O horário informado para a primeira composição era quatro e quarenta. Na sequência, seguia até São Joaquim. A matéria chama a estação de trem em um trecho, mas identifica a linha metroviária; aqui, o trajeto é descrito pelo sistema ao qual a Linha 1 pertence.

A conexão entre os meios de transporte não encerrava a incerteza. O porteiro reclamava que a partida e a permanência nas estações acrescentavam tempo à viagem. Um trecho que, segundo ele, poderia durar 20 minutos chegava por vezes a 30. São durações relatadas pelo usuário, não uma auditoria independente de pontualidade.

A ida inteira consumia entre uma hora e uma hora e meia. A volta era descrita como mais demorada, em torno de duas horas. O entrevistado dizia não gostar de chegar atrasado e já acordava pensando nos problemas que poderia encontrar. Essa preocupação foi declarada na reportagem; não há necessidade de acrescentar advertências de empregadores ou descontos salariais que a fonte não menciona.

O sistema metroviário foi procurado para responder às reclamações e não se manifestou até o fechamento do texto. A ausência de resposta não comprova todos os atrasos, mas mantém o relato sem uma explicação técnica ou um contraponto institucional naquela publicação. O fato documentado é o depoimento sobre a rotina, acompanhado da tentativa de ouvir o responsável.

Esse caso aparece ao lado do de um conferente do Rio de Janeiro, que também saía de casa de madrugada. A aproximação permite perceber uma experiência comum sem apagar diferenças. Em São Paulo, o percurso utilizava uma linha de metrô; no Rio, o trajeto descrito incluía meia hora a pé, ônibus e van. O tempo tomado pela locomoção atravessava duas organizações urbanas distintas.

A reportagem contextualizava esses percursos com uma pesquisa feita em abril de 2023. Foram ouvidas 2.019 pessoas economicamente ativas, acima de 16 anos, em municípios com pelo menos 250 mil habitantes. O levantamento não é um censo dos usuários de metrô e não informa a chance individual de atraso do porteiro. Serve como contexto para a relação entre trabalho e mobilidade nas cidades maiores.

Entre os entrevistados da pesquisa, 32% disseram ter deixado de aceitar uma oferta de emprego por dificuldades de locomoção. Outros 10% afirmaram já ter trocado de emprego por causa do tempo de deslocamento. Esses resultados mostram que o caminho pode interferir também nas oportunidades profissionais, além de consumir horas da rotina de quem já está empregado.

Especialistas ouvidos pela reportagem defenderam planejamento integrado e transporte público de qualidade. Um deles explicou que esperar menos, viajar com conforto e dispor de tempo livre favorece o descanso e o desempenho profissional. Outro destacou a importância de pensar acessibilidade: alcançar os lugares necessários em diferentes horários, em vez de observar apenas a velocidade dos veículos.

Para o porteiro, a discussão tinha horários concretos. Três e meia para acordar, quatro e dez para entrar no ônibus, depois a conexão no Tucuruvi e o caminho até São Joaquim. Nenhuma mudança posterior foi documentada na matéria. Naquele registro, chegar ao Bixiga dependia de começar a manhã quando o bairro de origem ainda estava na madrugada.

Fontes consultadas

Confira a origem e os créditos deste texto. A data da fonte é diferente da data de publicação no nosso site.

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