Estudo e Escola

Voltar a estudar depois dos 60 também acontece fora da escola

RRedação · 05/10/20263 min de leitura
Editorial

No bairro Caiçara, em Belo Horizonte, uma turma de Educação de Jovens e Adultos reúne exclusivamente pessoas com mais de 60 anos. O endereço das aulas é um centro de referência para a população idosa. A turma pertence à rede escolar, e o encontro ocorre em um espaço que já recebe a população idosa. A experiência integra uma oferta municipal que leva a educação a outros lugares da cidade.

A informação aparece em uma reportagem de julho de 2025 sobre a ampliação da alfabetização de idosos na capital mineira. O texto descreve aulas em unidades de acolhimento, igrejas, centros de convivência e serviços de saúde destinados a pessoas em diálise ou hemodiálise. São espaços com funções diferentes, incorporados a uma mesma preocupação: alcançar quem ainda deseja aprender a ler, escrever ou concluir o ensino fundamental.

O caso muda o ponto de partida da conversa sobre voltar a estudar. Em vez de perguntar apenas se alguém consegue chegar até a escola, a rede considera outros locais em que essa pessoa já está. Uma unidade de acolhimento pode se tornar lugar de educação. Um centro de referência pode receber uma turma. O direito à escolarização acompanha a pessoa para além de um único endereço.

No centro do Caiçara, a turma é vinculada a uma escola municipal. A proposta integra a EJA e também permite concluir o ensino fundamental. Alfabetização e continuidade escolar se encontram no mesmo espaço. Para quem procura retomar os estudos, o centro de referência oferece uma conexão com a escola municipal e com as possibilidades educacionais da rede.

A idade mínima para ingresso na modalidade é de 15 anos, segundo o texto consultado. Não há limite máximo. A presença de pessoas acima dos 60, portanto, não constitui uma exceção concedida por boa vontade: cabe dentro da própria proposta educacional. A oferta reconhece trajetórias que chegaram à velhice com etapas escolares ainda abertas e cria um lugar para retomá-las.

Uma diretora ouvida pela publicação destaca o trabalho com pessoas de 80 e 90 anos. Sua observação evidencia uma mudança concreta de escala: o ensino se dirige também a pessoas que atravessaram décadas sem completar o percurso escolar. A fonte valoriza os saberes que já carregam, evitando tratar a idade como sinônimo de ausência de conhecimento.

Desde 2023, a secretaria municipal promove ainda um projeto de atividades para as turmas da EJA que inclui música, dança, teatro e esportes. A programação também busca aproximar os participantes de espaços da cidade e de serviços disponíveis à população idosa. A escola, nesse desenho, se relaciona com circulação, convivência e acesso a direitos.

A iniciativa é apresentada como parte de uma política de envelhecimento ativo, em uma cidade integrada desde 2020 à estratégia nacional voltada a municípios amigos da pessoa idosa. A vinculação situa as aulas em uma organização mais ampla, envolvendo educação e assistência social. Leitura, escrita, convivência e conhecimento da cidade entram no mesmo desenho de atendimento, com atividades destinadas a manter a população idosa participante da vida coletiva.

Na turma do Caiçara, o fato verificável continua simples e expressivo: pessoas com mais de 60 anos têm um lugar para estudar ligado à rede municipal. O caminho até a escolarização ganhou outros endereços. Entre eles, um centro destinado justamente a quem poderia ter sido considerado velho demais para começar.

Fontes consultadas

Confira a origem e os créditos deste texto. A data da fonte é diferente da data de publicação no nosso site.

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