Amor e Relacionamentos

Duas mães mantiveram a guarda compartilhada após a separação

RRedação · 15/10/20263 min de leitura
Editorial

Uma professora da rede pública de Maricá, no Rio de Janeiro, cuidou durante cerca de um ano do filho de uma mulher em tratamento de câncer. O menino tinha dois anos quando chegou. A professora colocou a criança na escola e preparou um quarto. Quando a mãe decidiu mudar de cidade, pediu que o filho voltasse para acompanhá-la. A experiência levou a professora e sua então esposa a repensar a possibilidade de ter uma criança.

A história foi contada numa reportagem de maio de 2024. A professora disse que, ao reconhecer sua orientação sexual, havia desistido da maternidade. O período cuidando do menino e a despedida alteraram esse projeto. O casal passou a procurar formas de ter um filho, mas não conhecia os métodos de reprodução assistida nem imaginava que uma consulta especializada pudesse estar ao alcance das duas. Era maio quando encontraram na internet o anúncio de uma consulta gratuita em uma clínica de fertilização.

Resolveram ir para conhecer as possibilidades. Registra que saíram interessadas nas alternativas apresentadas e passaram a juntar dinheiro para realizar o procedimento. A escolha foi pela fertilização in vitro, com óvulo da professora e sêmen doado. Elas procuraram um doador com características semelhantes às da outra mulher. A gestação foi de um único bebê. Quando a matéria foi publicada, o filho tinha nove anos. Aquele planejamento levou ao nascimento do menino. A experiência temporária de cuidar de outra criança havia aberto espaço para uma decisão que mudaria a vida das duas. O casal se separou quando ele tinha três anos.

A separação não foi o fim da responsabilidade compartilhada. As duas mantiveram amizade e guarda compartilhada, segundo a professora. Seu registro é o da continuidade do vínculo parental depois da mudança na relação amorosa. Essa continuidade dá outro sentido ao caminho iniciado na consulta. A história não se resume ao acesso a uma técnica ou ao momento de engravidar. Inclui uma criança crescendo com duas mães que passaram a viver uma relação diferente entre si.

Quando a professora falou ao veículo, o filho já estava vários anos além da separação, e a parceria de cuidado seguia sendo parte da família. A matéria situou a experiência num contexto jurídico que reconheceu a união estável de casais do mesmo sexo como entidade familiar em 2011. Também ouviu uma especialista sobre modalidades de reprodução assistida. As explicações mostravam que havia caminhos distintos, dependentes das condições de cada caso.

O registro inicial envolvia uma criança que já tinha mãe e retornou a ela. Aquela passagem foi uma experiência de cuidado temporário. Depois veio outro projeto, decidido pelas duas mulheres e realizado com acompanhamento especializado. O vínculo temporário com um menino fez o casal reconsiderar o desejo de maternidade. Depois de devolver a criança à mãe, elas passaram a procurar meios de ter seu próprio filho. Em 2024, o resultado concreto desse percurso era um menino de nove anos e duas mulheres que, embora separadas, continuavam dividindo a guarda.

A reportagem termina de acompanhar o caso nesse ponto. O cuidado não ficou preso à duração do casamento. Prosseguia na responsabilidade pelas decisões da vida do filho, assumida por ambas depois de encerrada a relação amorosa.

Fontes consultadas

Confira a origem e os créditos deste texto. A data da fonte é diferente da data de publicação no nosso site.

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