Superação

Cavalo no telhado em Canoas: como aconteceu o resgate na enchente

RRedação · 18/10/20263 min de leitura
Editorial

Quatro dias sobre um telhado. Essa era a situação de um cavalo cercado pela água em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, quando uma operação de resgate chegou até ele em maio de 2024. A imagem circulou amplamente, mas a cena não começou nem terminou na fotografia. Havia uma casa debaixo daquele telhado, uma cidade inundada ao redor e uma equipe que precisava retirar um animal grande sem transformar o salvamento em outro acidente.

A Agência Brasil informou, em reportagem publicada naquele mês, que homens do Corpo de Bombeiros Militar de São Paulo participaram da retirada. O cavalo foi sedado e colocado em um bote. São os procedimentos registrados pela fonte; este editorial não acrescenta ordens gritadas, pensamentos dos profissionais ou uma conversa com o tutor. Não sabemos, a partir dessa matéria, tudo o que aconteceu antes de o animal alcançar o telhado.

O que a reportagem permite acompanhar é uma parte do esforço necessário para tirar animais das áreas alagadas. O grupo especializado ouvido pela agência contabilizava mais de dois mil resgates desde o início das enchentes no Sul, no fim de abril. Não eram apenas cães e gatos: havia galinhas, porcos e cavalos. O tamanho, a condição física e o lugar onde cada bicho estava mudavam a forma de trabalhar.

Outro cavalo também havia sido encontrado ilhado em Canoas. Antes de conseguir retirá-lo, profissionais ofereceram alimento e medicação. Uma veterinária explicou à reportagem a dificuldade de levá-lo pela água: a distância até um ponto seguro exigia outra solução. A necessidade descrita envolvia uma aeronave e equipamento capazes de suportar um animal de até 500 quilos. A fonte registra que o resgate ocorreu algumas horas depois, sem autorizar que se invente aqui uma sequência cinematográfica da operação.

Essa diferença entre encontrar e conseguir retirar ajuda a entender por que uma imagem de salvamento conta apenas um pedaço da história. A primeira equipe pode localizar o animal, mas precisar de outra embarcação, de atendimento veterinário ou de apoio para atravessar uma área inacessível. Em um desastre, a pressa convive com limites materiais. Um telhado é visível; os recursos que permitem chegar até ele, muitas vezes, não aparecem na mesma foto.

Na chegada a um ponto de atendimento, o trabalho prosseguia. A reportagem descreveu triagem porque os animais haviam passado longos períodos sem comer e estavam expostos ao frio e ao risco de hipotermia. O resgate não significava uma devolução imediata a uma família. Antes disso, era necessário avaliar a condição do bicho, oferecer abrigo e organizar a identificação de quem o procurava.

Também havia obstáculos dentro das casas: animais presos por correntes e janelas que dificultavam o acesso dos voluntários. Em alguns salvamentos, os próprios tutores entravam no bote para ajudar a manter o animal calmo. São situações relatadas na cobertura, e não uma orientação para que leitores entrem por conta própria em áreas de risco.

O editorial revisita um registro de maio de 2024. Os pedidos de doação daquele momento não são reproduzidos como se fossem atuais, e a matéria não permite afirmar aqui onde cada animal vive hoje. No caso do cavalo sobre o telhado, o ponto documentado é concreto: depois de quatro dias cercado pela enchente, ele foi colocado em uma embarcação. A água ficou para trás naquela etapa; à frente, ainda havia triagem, abrigo e organização.

Fontes consultadas

Confira a origem e os créditos deste texto. A data da fonte é diferente da data de publicação no nosso site.

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